Dieta e morfologia da cabeça, boca e dentição de duas raias simpátricas, Myliobatis goodei e M. ridens (Batoidea: Myliobatiformes)

Gabriela Amaral de Rezende, Ricardo Roberto Capitoli, Carolus Maria Vooren

Resumo


Comparamos as dietas e morfologias relacionadas à alimentação de duas espécies de raias simpátricas do gênero Myliobatis. As raias foram coletadas na plataforma do Rio Grande do Sul, litoral sul do Brasil, entre os anos de 1981-2005, nas profundidades de 11-100 m. A alimentação de Myliobatis goodei foi composta principalmente por poliquetas e crustáceos. Outros itens como ofiuróides, peixes e moluscos foram encontrados, mas com pouca representação. Para M. ridens, os moluscos foram os itens mais representativos, seguido pelos crustáceos pagurídeos. Os itens alimentares apareceram em sua maioria inteiros nos estômagos de M. goodei, e fragmentados e sem presença de carapaças duras em M. ridens. Myliobatis ridens possui cabeça mais estreita, placas dentárias mais robustas e maiores, e medidas da boca também maiores do que M. goodei. Tipicamente, as espécies de Myliobatis alimentam-se de moluscos e crustáceos, esmagando as carapaças duras de suas presas com suas fortes placas dentárias. Myliobatis goodei pode ser considerada uma das exceções dentro do gênero, por ter sua dieta baseada em poliquetas. A diferença na dieta entre estas duas espécies parece estar relacionada com as diferenças na morfologia da cabeça, boca e placas dentárias observadas, que minimizam a competição e permitem a partilha alimentar


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